 
OPINIÃO
 
Entrevista com Deputado Henrique Afonso
 
Publicada
em [04/05/08]
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Entrevista com o Deputado Henrique Afonso
O Jornal do Fenasp entrevistou com exclusividade o deputado HENRIQUE AFONSO
(PT-Acre). Na entrevista, o deputado opina sobre o PLC 122/2006, que criminaliza
a homofobia, e também sobre o papel da igreja diante da possibilidade do projeto
ser aprovado.
Fenasp - Para o senhor, o que significa a aprovação do PL 122/2006?
Dep. Henrique Afonso:
Entendo que, de fato, alguma coisa precisa ser feita para que a discriminação e
as manifestações de preconceitos contra judeus, índios, negros, nordestinos,
homossexuais e outros sejam banidas de nossa cultura.
Lamento vê-los sendo alvo de piadas por humoristas, do ridículo por cartunistas
ou sendo vítimas de violência pelos intolerantes. Esta situação precisa ser
revertida. Mas creio que deveríamos incentivar a implantação de um trabalho de
conscientização e de educação que envolvesse toda sociedade e que beneficiassem
a todos que se sentem discriminados e não apenas aos homossexuais e entendo que
isso não deve ser feito através de uma lei impositiva que traz penas e danos até
mesmo à pessoas que amam os homossexuais, como é o caso dos religiosos.
Como pastor, tenho autoridade em dizer que amamos os homossexuais. Os líderes
evangélicos não protagonizam cenas de violência contra eles ou os discriminam.
Que fique muito claro que não somos homofóbicos. A Igreja e as comunidades
religiosas estão abertas para recebê-los. No entanto, acreditamos que a prática
da homossexualidade é reprovada por Deus e manifestamos esta nossa crença e não
podemos nos calar quanto a este fato.
Assim, aprovar o PLC 122 seria inibir pastores e religiosos de falar contra a
prática da homossexualidade. Para que se compreenda, ilustro dizendo que também
amamos o adúltero, ele é bem vindo em nosso meio, a igreja esta aberta para
recebê-lo, no entanto não aceitamos a prática do adultério.
Por fim, afirmo que creio que a aprovação do PLC 122 também trará outras
conseqüências desagradáveis à sociedade, como a prisão de comerciantes, de
artistas, de humoristas, juízes, médicos, donos de imóveis, entre outros.
Fenasp - Qual a interpretação que os evangélicos dão ao projeto de lei?
Dep. Henrique Afonso:
É unânime entre os evangélicos de que o PLC fere a liberdade religiosa no país.
Fenasp - Em sua opinião, o que o movimento homossexual pretende com a
aprovação do projeto?
Dep. Henrique Afonso:
Os homossexuais querem direitos por serem homossexuais, o que é um grande
equívoco. Eles devem ter direito a proteção, a não violência, a empregos e ao
respeito por serem cidadãos e, não por serem homossexuais. Nossa Constituição
garante que a todos são iguais perante a lei. Não se admite privilégios de uns
em detrimento de outros.
Cito um exemplo: os casais homossexuais querem, com o PLC 122, punir com pena de
prisão pessoas que inibirem suas manifestações afetivas em público e não vejo
esta exigência pelos casais heterossexuais. Há lugares que todos os casais são
proibidos de trocarem beijos ou carícias em público, como nas igrejas. E quando
não obedecem estas regras são chamados e orientados a obedecê-las e nem por isso
vão às delegacias pedirem a prisão de padres e pastores. Este exemplo se aplica
também a muitas escolas, associações, agremiações onde os casais precisam se
conter e não há notícias de prisão por este fato.
Se este PLC for aprovado, o casal heterossexual continuará sem a manifestação de
afeto em alguns lugares, ao contrário dos casais homossexuais que terão este
direito garantido por força de lei e até mesmo o direito de ameaçarem, com pena
de prisão, quem desejar que eles obedeçam a regras anteriormente estabelecidas.
Fenasp - Quais as ações que os movimentos contrários ao PLC 122/2006 estão
executando para a não aprovação do projeto?
Dep. Henrique Afonso:
Estamos reunindo pareceres de renomados juristas brasileiros que apontam mais de
dezoito vícios de inconstitucionalidade no PLC e de posse dos mesmos estamos
fazendo um trabalho de conscientização junto aos senadores mostrando que estamos
diante de uma proposição legislativa que é uma verdadeira aberração jurídica.
Também estamos promovendo e incentivando debates em todo País com diversos
segmentos e trazendo para os legisladores as sugestões e posições da sociedade
sobre o mencionado Projeto de Lei.
Fenasp – Como a igreja deve se posicionar diante de projetos que ferem os
princípios cristãos?
Dep. Henrique Afonso:
A Igreja precisa reagir sempre que sentir que sua liberdade está sendo cerceada.
Não devemos nos calar ou fazer concessões diante daquilo que temos certeza que é
pecado e que desagrada ao Todo Poderoso.
Quero inclusive citar um fator recente. Em Brasília, dias antes da celebração da
Semana Santa, começou a ser exibida uma peça teatral sob o título “Nunca Fui
Santo”. Durante a encenação os atores usavam a Bíblia Sagrada para mostrar cenas
de masturbação, contavam piadas usando o nome do Senhor Jesus Cristo e zombavam
dos objetos de culto da Igreja Católica, como o cálice e a hóstia. Ao tomar
conhecimento deste fato, reagi, fui à Tribuna da Câmara dos Deputados e
protestei e agora estou incentivado e apoiando uma senhora católica, residente
em Brasília que tem 82 anos de idade e que teve a coragem de ir a uma Delegacia
de Polícia e registrar um Boletim de Ocorrência contra os atores e produtores
daquela peça teatral.
E assim acho que devemos agir. Não podemos permitir que o nome do Senhor Jesus
seja envergonhado. Temos a obrigação, como cristãos, de manifestar nossa posição
e sair em defesa da fé. Mesmo que tenhamos que pagar algum preço, não devemos
nos intimidar nunca. Por exemplo: todos já devem saber que estou sendo ameaçado
de ser expulso de meu partido, o PT, por me manifestar contra o PLC 122/2206 e
por estar liderando uma campanha nacional contra a legalização do aborto no
Brasil, temas que como membro de PT deveria estar a favor. E neste sentido conto
com o apoio e as orações do povo de Deus no Brasil.
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