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Abuso sexual em casa é violência mais comum contra crianças
 
Publicada
em [16/07/09]
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Agência
Brasil
RIO DE
JANEIRO - O abuso sexual dentro do próprio lar, que tem no agressor alguém da
família, é o tipo de violência contra a criança e o adolescente mais citado
pelas instituições que atendem menores, no município de Belford Roxo, na Baixada
Fluminense. As ocorrências desse tipo de abuso, chamado de intra-familiar, são
maiores que as do abuso sexual extra-familiar, cometido fora do âmbito da
família.
O resultado consta de pesquisa realizada pelo Programa de Ações Integradas e
Referenciais de Enfrentamento à Violência Sexual Infantojuvenil no Território
Brasileiro (PAIR), divulgada nesta quarta-feira (8), em seminário realizado em
Belford Roxo. O PAIR é coordenado pela Secretaria Especial de Direitos Humanos (SEDH)
da Presidência da República.
A coordenadora do programa no estado do Rio, Valéria Brahim, explicou que o PAIR
tem o objetivo de fazer um diagnóstico da violência infantojuvenil e funciona
como um estímulo para o trabalho conjunto dos programas de enfrentamento à
violência sexual. "E, principalmente, [conhecer] quais são as instituições que
estão trabalhando nesse enfrentamento, para otimizar essas ações", disse.
Segundo Valéria, que também é gerente de programas sociais da Associação
Brasileira Terra dos Homens (ABTH), ainda há pouca informação, no município de
Belford Roxo, sobre outros tipos de crimes sexuais praticados contra crianças e
adolescentes, entre os quais o turismo sexual, a pornografia infantil e o
tráfico para fins de exploração sexual.
Ela acredita que o abuso sexual dentro e fora do lar é o mais citado, em parte,
devido à falta de identificação de outros casos de exploração sexual. Por isso,
Valéria destacou a importância de as pessoas denunciarem esses crimes. "As redes
de exploração sexual são muito bem formadas e, muitas vezes, as pessoas têm medo
de denunciar. Mas a gente sabe que a denúncia pode ser feita anonimamente pelo
Disque 100, que é um número nacional".
A pesquisa foi realizada pelas equipes do PAIR e da ABTH e aplicada por
universitários do curso de Serviço Social da Universidade Federal do Rio de
Janeiro (UFRJ). Foram ouvidas pessoas do Conselho Municipal dos Direitos da
Criança e do Adolescente, da comunidade, de movimentos sociais organizados e das
áreas de defesa e responsabilidade, atendimento e prevenção.
A maior parte dos entrevistados (87%) são pessoas da área governamental, das
três esferas, com o campo de atuação majoritariamente voltado à política de
proteção social especial em relação ao público-alvo (73%). Valéria Brahim
salientou que cabe ao Estado enfrentar a questão da violência infantojuvenil. "O
percentual da sociedade civil vem como um apoio ao que é uma função do Estado".
A pesquisa constatou, ainda, que a maioria dos registros de violência sexual
contra a criança e o adolescente (87%), no município de Belford Roxo, é feita
por meio de denúncia anônima. A coordenadora do PAIR no Rio de Janeiro afirmou
que a demanda, com a qual os conselhos tutelares se deparam, de atender à
criança e protegê-la da violência sexual é tão premente que a sistematização dos
registros acaba ficando num plano secundário. "Essa é uma questão que o Estado
precisa observar para dar mais infraestrutura de trabalho a esses
profissionais".
Ela lamentou que ainda não haja, no país, uma cultura de direcionar esses dados
para pesquisas, porque isso "é importante para a criação de políticas públicas.
A gente precisa levantar a demanda para que a política pública seja de fato
inaugurada e fomentada em casos que já existam".
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