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Promiscuidade e Poder
 
Publicada
em [30/07/09]
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Bráulia Ribeiro
O governo brasileiro decidiu meter a "colher", até na vida sexual de seus
súditos, ops, digo: cidadãos. Quando se lê as cartilhas escritas pelo governo
para o ensino de sexualidade nas escolas, o texto e os desenhos absurdamente
explícitos excitam até aos adultos. As cartilhas tornam desnecessária aos
curiosos a compra de guias sexuais como o Kama Sutra. Basta colocar as mãos numa
destas cartilhas feitas para o ensino fundamental em casa, que o casal já vai
ter informações novas para "apimentar" bastante sua vida sexual.
As cartilhas tem o "cuidado" de colocar todas os tipos de práticas sexuais no
mesmo patamar sem "discriminar" nenhuma. Aliás pra quem não sabe a sigla para
definir a diversidade sexual agora não é mais GLS mas LGBTTTIAQ. Nem vale a
pena tentar explicar o que cada letra quer dizer porque amanhã uma ou duas
terão mudado de significado e com certeza outras serão acrescentadas. Em breve o
Z de zoófilos estará presente. O governo ainda não colocou sexo com animais nas
cartilhas para ensinar a nossas crianças os melhores bichos e posições, mas de
acordo com o Correio Braziliense os zoófilos já estão no caminho.
Como se não bastasse a desvirtuação forçada da sexualidade a que serão
submetidas as crianças o governo também comprou recentemente 40 milhões de reais
de um lubrificante sexual chamado KY, usado principalmente por homossexuais, e
investiu o maior dinheiro que algum governo jamais investiu na compra de
camisinhas para distribuição gratuita, cerca de 2 bilhões. Um governo como este
só perde em promoção aberta da promiscuidade sexual para Calígula ou Nero do
antigo Império Romano.
Me intrigava o porquê desta incansável batalha anti-moral. Dá pra entender que
indulgir às exigências da militância gay é necessário para um governo que
precisa de popularidade a qualquer preço. Mas precisava ir tão longe? Como
aposta eleitoreira parece até um tiro que pode sair pela culatra. A grande
maioria da população brasileira ainda vê com estranheza esta amoralidade
existencialista. Não precisa nem ser evangélico ou católico praticante para
achar esquisita a necessidade de ter que se diferenciar travestis de gays e
cross-dressers em uma cartilha de ensino fundamental. A maioria se indignaria e
consideraria insensato distribuir livrinhos com fotos de sexo explícito nas
escolas de ensino médio. Soube através de uma professora obrigada a aderir a
pedagogia do sexo que ela teve que dar um intervalo masturbatório porque o
estado de excitação sexual provocado pelo livrinho era tão intenso que torna
impossível prosseguir a aula sem que os alunos "se acalmassem" primeiro.
Se a família brasileira média soubesse de tudo isto tenho certeza de que não
aceitaria. Se nos fosse perguntado se o ministério da saúde deveria investir em
camisinhas ou em remédios essenciais como antibióticos sempre em falta na rede
de saúde pública, o que responderíamos? O que escolheríamos, atender à
necessidade de mudar de sexo dos transexuais, de custo altíssimo para o erário
público, ou combater a taxa de mortalidade infantil ainda alta no norte e
nordeste do país, devido a doenças básicas e desnutrição? Os militantes sociais
consideram um grande ganho a decisão do ministro Temporão de pagar operações de
mudança de sexo. Eu acho um retrocesso. Estamos novamente elitizando a saúde
para uma nova classe sexual que dispõe de tudo gratuitamente para suas práticas,
e deixando as crianças pobres de lado.
Não pode ser uma simples tática eleitoral. Tem que ter mais coisa em jogo para
eles tenham motivo para se arriscarem tanto. Comecei a me fazer esta pergunta e
investigar, e agora com horror acho que me deparei com o motivo.
Já tem sido mostrado por alguns jornalistas o amor dos intelectuais petistas às
doutrinas do acadêmico italiano Antônio Gramsci. Aliás não só deles mas Gramsci
parece ser um consenso nacional. A maioria das faculdades de pedagogia e
assistência social elevam Gramsci ao nível de Foucault e Durkheim.
Uma das muitas reinvindicações de Gramsci é a de que a hegemonia que é o domínio
psicológico sobre as massas, é necessária para se atingir e manter o poder do
aparato do estado socialista. Esta hegemonia deve ser conquistada a qualquer
preço e a grande vitória dos ideólogos é a de mudar o que Gramsci chama de o
"senso comum" que numa definição muito própria são os hábitos, expectativas e
idéias inconscientes que governam o dia a dia das pessoas, o que elas entendem
por realidade. Quando o senso comum das pessoas refletir a ideologia da luta de
classes se alcança o que Gramsci define como o "Estado Ético". De ético na
definição de ética que conhecemos este estado não tem nada. Sua única ética é
servir os interesses da luta de classes obliterando toda e qualquer oposição a
ela. Debaixo da pseudo-moral do Estado Ético para obtê-lo e mantê-lo vale tudo,
matar roubar, mentir. A mais completa imoralidade se lhe presta serviço é vista
como ética. A honestidade, o labor a boa moral pode ser um crime se estiver
cooperando para a classe oposta... O bem e o mal passam a ser definidos pelo
Estado e seus interesses.
Veja este texto de Gramsci (também citado por Reinaldo de Azevedo[1])
"O moderno Príncipe, desenvolvendo- se, subverte todo o sistema de relações
intelectuais e morais (...) O Príncipe toma o lugar, nas consciências, da
divindade ou do imperativo categórico, torna-se a base de um laicismo moderno e
de uma completa laicização de toda a vida e de todas as relações de costume".[2]
Por mais que nos pareça exagerada ou enlouquecida a proposta é esta mesmo,
acabar com o bem e o mal, certo, errado, e subjugar qualquer noção de moral e
virtude à vontade única do estado - que é o Moderno Príncipe. Para que este
senso comum do bem do estado seja obtido é preciso se subverter todos os valores
tidos como burgueses, ou que tenham sido herdados de consciências anteriores à
consciência hegemônica da luta de classes. Ou seja quanto mais vale tudo melhor.
Quanto mais dúvida sobre o que é "certo" e "bom" mais fácil se torna a tarefa de
construir uma nova moral não moral.[3]
A promiscuidade, os extremos sexuais, a instabilidade da família são beneficiais
ao Estado. Nesta ótica transar com todo mundo ajuda a combater a pobreza e
instalar a justiça. A confusão mental lançada pelos intelectuais gramscianos na
sociedade faz com que frases como a clássica do ministro Temporão: "Aborto é um
problema de saúde pública", sejam recebidas como pérolas de lucidez e repetida
como sabedoria até pelos cristãos. O fato é que para os que não estão cegos
pela Matrix da luta de classe aborto deveria ser uma questão de direito à vida
da criança que está sendo gerada, já que é o dever do Estado proteger os mais
frágeis. Uma criança é uma vida e não uma questão de saúde pública como uma
epidemia de dengue.
Quanto mais distorcida a noção de certo e errado de um povo mais passível ele se
torna de receber e aceitar domínios opressivos e tirânicos. Quanto mais fraco o
núcleo básico da sociedade que é a família, a entidade mais importante e que
preserva o direito individual, mais forte o direito do Estado sobre todos.
Se antes a institucionalizaçã o da liberdade sexual exacerbada já me parecia
absurda, à luz deste entendimento ela se torna criminosa.
Resta saber como vamos reagir diante disto. Vamos permitir que como ovelhas
burras sejamos conduzidos a este pasto limitado e venenoso? Lutar contra o
establishment da sexualização perversa das massas se torna não apenas uma
questão de moral cristã, mas um grito essencial de liberdade...
Fonte: Revista Eclesia |
 
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