Ronaldo da Silva
Brasília (DF)
Agência Brasil
3ª Marcha
Nacional da Cidadania pela Vida e pela Paz, evento promovido pelo Movimento
Nacional em Defesa da Vida - Brasil Sem Aborto
A
Marcha Nacional da Cidadania pela Vida liderada pelo Movimento Brasil Sem
Aborto, reuniu cerca de três mil pessoas, neste domingo, 30, em Brasília (DF).
Depois de percorrer cinco quilômetros ao som de três trios elétricos, o ponto
culminante do evento foi na Esplanada dos Ministérios com um show da cantora
Elba Ramalho.
Seguidores de várias religiões, artistas, juristas, jornalistas e simpatizantes
da causa vieram de vários e
Estados como São
Paulo e Goiás. Um dos organizadores da caminhada, Jaime Ferreira Lopes, acredita
que o aborto é a "matriz mais forte" de todos os tipos de violência, por isso a
necessidade de manifestações coletivas contra a prática.
A marcha se tornou também um ato de protesto contra o governo federal que
boicotou a verba de patrocínio do evento depois ter sido liberada e depositada
em conta.
Na última sexta-feira, o Ministério da Cultura suspendeu o repasse de R$ 113 mil
alegando que houve "omissão de informação na apresentação do projeto", pois não
deixou claro que a marcha se tratava de uma manifestação contra o aborto.
A organização do evento se defendeu afirmando que o projeto estava claro ao
propor ações culturais em defesa da vida, além de ter sido aprovado sob os
aspectos técnicos e jurídicos pelo mesmo Ministério da Cultura.
Na avaliação do Movimento Brasil sem Aborto, a suspensão do patrocínio foi
cerceamento da liberdade de expressão e demonstrou parcialidade do governo em
relação ao tema. Eles lembraram que em 2008 um filme pró-aborto, produzido pela
Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), foi financiado com verba pública.
Elba Ramalho começou o show cantando a Oração de São Francisco. Apesar de já ter
praticado aborto, a cantora se tornou engajada na campanha e diz que hoje não
abortaria mais, defendendo a vida em todas as circunstâncias.
Elba teve sua participação questionada no evento por grupos feministas, mas
disse que o maior equívoco que a sociedade pode cometer é aprovar o aborto. "Vim
colocar minha assinatura nesta luta. Sou católica praticante de comunhão e Missa
frequente e se tiverem que me metralhar neste palco morrerei feliz, mas não mudo
minha opinião", declarou.
A cantora revelou ainda que o próprio ministro da Cultura, Juca Ferreira,
telefonou para ela antes de cancelar a verba do evento, explicando que ele
próprio é contra o aborto, mas recebeu orientação para não apoiar a
manifestação. "Eu disse a ele que não concordava com essa atitude do governo e
que isso era censura à livre manifestação". E concluiu: "Infelizmente, estamos
neste fim dos tempos percebendo que seremos cada vez mais perseguidos por nossas
posições que defendem os valores. O mundo está cada vez mais dominado por forças
estranhas".
O protesto buscou mobilizar a sociedade contra projetos que tramitam no
Congresso Nacional e Supremo Tribunal Federal (STF) visando a legalização do
aborto no país.